sexta-feira, 8 de julho de 2016

Ciúmes

Saio da cozinha e vou na direção das vozes conversando animadas na frete da minha loja de doces. O que eu encontro não me deixa surpresa, Afinal essa cena já é bem normal. Meu marido, atras do balcão da loja, está inclinado para frente conversando entusiasmado com uma das nossas clientes. Mas não é uma qualquer cliente, Ela se chama Cristina, ela trabalhava com meu marido num escritório. Ela vem aqui todo dia antes de ir ao trabalho e depois de sair dele. È assim deste que meu marido deixou  seu trabalho para me ajudar aqui na loja.

Palavras não podem expressar o quanto essa situação me irrita. Eu sei muito bem que ela não vem aqui só para comprar chocolate. Essa, essa... Essa coisa está atras do meu marido. Já conversei com Felipe, meu marido, sobre isso, Mas ele sempre fala para eu não me preocupar, que isso não é nada. Que eles dois só são bons amigos e blá,blá...  Mas uma coisa que eu não sou é idiota.  

Seguro meu avental com força, minhas unhas adornadas passam pelo pano fino deste e machucam minhas palmas das mãos. Mas eu não me importo, isso é menos doloroso que esse sentimento de ciúmes que enche meu coração. Como ela ousa tocar no braço dele, como ele ousa rir da piada sem graça dela, Como vocês dois ousam... Solto meu avental quando o gosto azedo da minha boca fica quase insuportável. 

- Garota, você não vai conseguir sobreviver deste jeito. - Sussurro para mim mesma, enquanto olho pro meu reflexo no espelho da parede. Respiro fundo e coloco um sorriso no rosto, Tiro meu avental, ajeito as ondas do meu cabelo e abro alguns botões da minha camiseta.  E vou na direção deles.

- Oh Cristina! - Me finjo surpresa com a presença dela. - Tão bom ter você aqui de novo... - Deixo a mentira sair com dificuldade. Paro no lado de Felipe e o abraço possessiva. - Então, o que vocês dois estavam conversando?

- Eleonor, Oi. - Ela sorri para mim, E minha vontade era socar a cara dela. Mas sou melhor que isso... Então só sorrindo de volta. - Eu estava falando com o Felipe sobre a festa que nosso escritório vai dar  em comemoração pelas as boas vendas.

- E estou bastante feliz em saber que tudo está indo bem lá no escritório - Felipe fala feliz, ainda com meus braços ao seu redor.


- Bem, Nós tivemos que nos esforçar mais para compensar sua saída. - Um beicinho ridículo se forma nos lábios dela - Foi um choque para todo mundo quando você anuncio que iria sair. Você erá o nosso numero um. |

- Cristina, Você sabe que não foi bem assim. Nos meus últimos messes no trabalho meu desempenho caiu bastante. - Felipe fala com um sorriso, Mas eu consegui notar uma pitada de decepção na sua voz. E eu o aperto mais em meus braços.

- Isso não foi sua culpa. - Ela fala apresadamente e tenta se aproximar mais do meu marido. Mais o balcão a impede. - Você não tinha tempo o suficiente para se dedicar aos contratos, Pois tinha que cuidar também da papelada daqui e -

- È naquele tempo o Felipe estava meio atarefado. Mas o que importa é o agora e todo mundo está bem e feliz. - Eu a corto, já cansada da voz dela. -  A loja está ganhando novos cliente e o escritório também está indo bem, é o que importa. E alias, Já são nove e vinte e cinco, Você não vai chegar atrasado no seu trabalho?

- Oh - ela pega e olha o relojo no celular - È verdade tenho que ir. 

Ela dá uns passos na direção da porta, mais para no caminho e olha para o Felipe.

-  Quase esquecendo, Felipe a festa que mencionei vai ser hoje no bar de sempre as 6 horas. Por que você não aparece por lá? Todo mundo vai adorar em te ver. - Sem esperar pela resposta dele ela sai pela porta. 

- Você vai? - Me solto dele e começo a limpar o balcão onde ela tocou.

- Talvez... - Ele olha pensativo na direção onde ela acabou de sair.  - Hum... Bem, Eu acho que vou.

- Então, Que tal fecharmos a loja mais cedo e eu te acompanhar para a festa? - Pressiono meus seios no balcão e viro minha cabeça de lado, deixando exposto meu pescoço.   Não me considero uma esposa pegajosa, normalmente deixaria ele sair com os amigos sozinho. Sem problema. O que muda aqui  é a presença daquela mulher. Se ela participar desta festa, não quero que o Felipe vá sozinho. 

- Não, Não é necessário. È melhor eu ir sozinho. - ele pega um doce da vitrine e vai para dentro, me ignorando completamente. Arrumo minha postura e olho decepcionada pela porta que ele saio. 

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Me encosto na parede da cozinha só de lingerie. Ele já foi para festa sozinho e eu já fechei a loja. Agora essa garota aqui esta sozinha comendo chocolate na panela. 

- O que será que aqueles dois estão fazendo agora?  - Mordo meu lábio quando a onda de ciúmes me atinge. 

Eu achei que isso ia acabar quando ele largue-se  o emprego e viesse me ajudar com a loja. Quando ele ainda trabalhava no escritório ele sempre votava tarde e sai bem cedo, Nunca tinha tempo para passa comigo. Quando eu não conseguia mais aguentar a solidão eu colocava o vestido mais sexy que tinha me maquiava, arrumava meu cabelo e ia para o trabalho dele com doces, para ele e seus colegas. Mas quando chegava lá ele nunca estava sozinho ele sempre tinha alguma companhia feminina com ele. Se não era essa Cristina, era a secretaria se não era a secretaria era a-

Jogo a panela vazia na pia e limpo minha boca na mão. Vou para o quarto e começo me arrumar, Estou cansada de esperar ele, Cansada desse ciúmes...  Coloco um vestido preto justo que mostra toda as minha curvas e me encaro no espelho.

- Lenor está boa neste vestido - Termino de me arrumar e saio para a rua. 

- Vou dançar até meus problemas desaparecerem da minha cabeça. - Vou para o club, e danço com meu ex e algumas garotas. Mas não importa o quando eu me mexa não consigo esquecer meu marido. Arrependida corro para loja e o encontro lá parado me esperando.

Feliz  o abraço. 


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